quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

O dia em que eu descobri que o tempo não para.





      Era meu terceiro ano na escola e o último dia de aula. Eu tinha vivido o melhor ano da minha vida, com pessoas muito especiais, tinha me apaixonado, passado por momentos únicos, sorria sempre, e tinha chorado muitas vezes de felicidade também. 

    Nos outros "últimos dias de aula" eu sempre tinha a certeza de que se repetiria no outro ano. Que eu teria mais uma sala, mais um ano no colégio e etc. Mas aquele ano era diferente. Droga! E o que vinha depois? 

    A morte, provavelmente. Ou era pelo menos isso que eu pensava. Afinal, depois do ensino médio, a gente faz o que? Morre? A faculdade, apesar de libertadora, não parecia tão atraente. Porque depois dela viria o primeiro emprego, e aí então a responsabilidade de ter que se sustentar, encontrar alguém para passar a vida ao lado, e, sinceramente, parecia ser uma preparação para te colocar dentro de um caixão. 

    O último dia de aula no ensino médio foi a primeira vez que eu descobri que o tempo não para. 

    Ele não poderia nem dar uma pausazinha de segundos para que eu pudesse me preparar para a vida que me encarava? Não. Ele não podia. 

   Eu tinha que fazer tudo rápido tive que escolher o queria fazer para vida tinha que escolher aonde eu queria fazer isso tinha que escolher como eu ia fazer isso eu tive tantas escolhas e tantas pressões e o tempo não estava parando por mim igual como esse parágrafo não para nem para ter uma vírgula de respiração.

    Mas Einstein tinha razão. O tempo é relativo. E eu não morri depois do ensino médio. A vida continuou ali, sabe. Me fazendo rir, me fazendo descobrir outras centenas de coisas e pessoas que eu nunca pensei que iria conhecer. Me fez abrir a mente, porque o desconhecido é assustador, mas ele tem um gosto muito bom. 

    Mas Einstein tinha razão. O tempo é relativo. Ele depende de mim. E depende do que eu faço com ele. Em um segundo eu poderia estar hesitando, e no outro eu já poderia estar vivendo a vida. Ou em um segundo eu poderia estar hesitando, e no outro eu poderia ter ido dormir e esperar outros segundos de vida chegarem. 

    Desde de o-dia-em-que-descobri-que-o-tempo-não-para, aprendi uma coisa que eu não sabia: 365 dias não é um tempo longo. Na verdade, ele é relativo. Como eu disse, Einstein tinha razão. Para saudades: longo. Para viver: curto. Curtíssimo. Até porque quando você cresce, você percebe que tem mais deveres do que direitos, e que quando você tem tempo para viver, talvez você prefira recuperar as energias.

    Já fez dois anos que eu saí do ensino médio e nesses 366+365 dias, minha vida mudou. E o tempo ainda continuou correndo. E ele ainda continua com esse péssimo hábito de não me dar um tempo nem para amarrar o cadarço. 

   Hoje é o primeiro dia do ano. E o tempo não parou ontem a noite, nem para você abrir um espumante. Ele continuou a cada segundo. Mas o bom do tempo é que ele leva as coisas, faz a dor diminuir e a cada milésimo de segundo ele torna sua vida passado. E o que ele tem mais de especial é que a cada segundo que ele faz passar, ele te dá uma chance de recomeçar do zero. 

   Aliás, você já recomeçou hoje? 

  

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