sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Aprendendo a falhar




Se você puder dar uma lidinha nesse texto de Eliane Brum para a revista Época,  tenho certeza que tudo ficará mais claro: É só clicar aqui .

    Todo mundo hoje tem medo de falhar.
   A sociedade pressiona muito aqueles que acabam não aceitando suas regras e o medo do fracasso acaba atingindo proporções (principalmente nos jovens) que são bem preocupantes. Aliás, o que é falhar exatamente? 

   Hoje, para aqueles que não sabem, é o último dia de inscrições do SISU (processo que leva milhões de jovens brasileiros a entrarem uma faculdade em todo o país). E todos os jovens têm medo de falhar nesse processo. Falharem por não passarem na faculdade desejada, falharem por não escolherem o curso certo, falharem perante a família, sociedade e por pior: falhar em frente ao espelho.  Tudo isso por causa daquele reflexo que provavelmente é o pior inimigo porque fica cobrando mais do que todos os outros juntos. 

    No Japão, o maior índice de suicídios é por causa do fracasso, e acontece justamente entre os jovens. Mas, aí eu lhe pergunto, de novo : exatamente o que é o fracasso? O que é falhar


Eu falhei. 

      Falhei uma, duas, três. No total, eu falhei exatamente cinco vezes, até perceber que eu nunca tinha falhado. 

    Quando eu entrei no ensino médio, decidi que iria querer ingressar na Universidade Federal aqui de Brasília. E então, no segundo ano comecei a tentar conciliar todas as minhas atividades extras com o cursinho. Quando eu terminei o ensino médio, eu não passei. Então, comecei a fazer cursinho para vestibular no primeiro semestre de 2012. Foi péssimo, foi o pior semestre da minha vida. Eu já não tinha contato com os amigos, já não ia para festas, não saía, eu passava a semana toda estudando, sempre que eu podia. E então, tentei no meio do ano. Mais uma vez, falhei. 

    E eu me culpei bastante e minha auto-estima caiu muito porque eu não me sentia bem com nada. Não sei muito bem o que é estar em uma depressão, mas eu não tinha vontade de fazer absolutamente nada. Eu me tornei minha pior inimiga e eu já não sabia o que era ter uma boa noite de sono sem ter que sonhar com aquelas cadeias orgânicas de química. 

   E então veio a decisão. Eu podia parar tudo e começar uma faculdade, ou poderia continuar tentando. Decidi continuar tentando. 

   E tentei ser muito rígida, tive um acompanhando de alguém que foi muito importante para mim por causa disso. Ele trabalhava no próprio cursinho e me dava mil motivos para continuar estudando, e aquele acompanhamento me fez ficar mais confiante, porque ele acreditava em mim. Dizia que nos simuladores eu ia muito bem e bem o bastante para passar até em cursos com notas muito mais altas do que o meu. Mas acontecia algo na prova e eu simplesmente não dava meu melhor. 

   E aquele cursinho me deixou num estresse tão grande, que minha mãe achou melhor que eu viajasse no meio de outubro (perto do meu aniversário). Então eu viajei com meu grupo de teatro para Belo Horizonte participar to Festival de Teatro de lá. E foi quando eu pude dar uma espairecida e viver um pouco naquele ano que foi bem difícil pra mim. 

   Tudo bem, eu voltei. E voltei com muito mais forças porque agora eu tinha dado um tempo e agora tinha mais gás. Eu estava confiante e tinha aprendido muito e evoluído muito. O vestibular foi re-agendado para janeiro. Tudo bem, aquilo não me abalou. Até o dia 22 de dezembro eu estava tendo aula. E no dia 25 de dezembro eu passei o dia estudando. Veio janeiro, e eu soube: eu tinha falhado mais uma vez. 

    Acredito que poucas pessoas sabem exatamente o que é isso. E então eu comecei a rever meus conceitos. Eu precisei falhar muito para saber que eu não estava falhando. 

    Então, eu decidi que iria fazer uma faculdade particular boa e renomada no curso que eu escolhi desde os 13 anos (Jornalismo). E eu percebi que em todo esse momento eu estava tão preocupada em realizar algumas metas, que acabei esquecendo de correr atrás do meu sonho maior: fazer jornalismo

    Demorou muito tempo para que eu tivesse maturidade para entender o que não é falhar. E talvez, para quem não passe nesse semestre agora, também demore ou seja rápido. 

    Você não é um desistente por desistir de algumas coisas. Você desiste de alguns sonhos para correr atrás de outros. E não há nada que te faça ser um fracasso.

    Hoje, eu sou completamente realizada com meu curso, encontrei pessoas ótimas, e percebi que tem tanta coisa dando errada na vida que a gente acaba esquecendo que certas coisas podem dar certo, mas por outras vias. Por outros caminhos, outras estradas.
   
    Eu não me arrependo nenhum segundo de ter feito o cursinho pré-vestibular por um ano. Eu conheci pessoas que são minhas amigas até hoje e que sabem exatamente o que passei. E também, me ajudou a crescer muito na faculdade, porque eu percebi que eu tinha adquirido uma maturidade muito grande em um ano. Saber de mais coisas e ter aprofundado coisas no cursinho sobre todas as matérias (que naquela época, pareciam que eram inúteis depois do vestibular) fez com que eu me destacasse em alguns pontos; fez com que eu me saísse melhor, afinal, eu já estava acostumada com rotinas malucas de estudos; e fez com que eu tivesse um conhecimento mais amplo das coisas do que as pessoas que estavam saindo do ensino médio naquela hora. E o cursinho foi o lugar onde eu aprendi a amar sociologia (que agora faz parte do que eu quero pro futuro), e foi onde eu aprendi que você pode se auto-destruir facilmente. E saber coisas de física e química e matemática me ajudaram a ter uma visão muito mais ampla, e a não fazer perguntas idiotas para os entrevistados, porque eu já tinha alguma noção do que eles estavam falando. E o pior lugar que eu já passei na vida até agora, foi o lugar onde eu mais cresci pessoalmente, profissionalmente, e aprendi a amar outras coisas. 


      E a maturidade só vêm quando você está pronto para abrir a mente, e só assim você pode dizer para aquele reflexo no espelho que tanto de pressiona: Eu não sou um fracasso. Inclusive, sou a pessoa mais corajosa que já conheci. 

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