quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Não seja aquele tipo de pessoa.


   
     Certa vez conheci um rapaz que me deixou muito intrigada. Ele era meio cabisbaixo, meio depressivo, meio incompreensível. Disse a mim mesma que ele só precisava de um empurrãozinho para que ele estivesse bem novamente. Que algo deveria ter acontecido em sua vida e que ninguém tinha o direito de julgá-lo. Afinal, sórdidos tempos vem para todo mundo.

      Enquanto tentava me aproximar da melhor maneira possível (com um pouco de piadas e tentando arranjar algumas coisas em comum), dei me conta de que ele não ria de nada. Eu não sou tão ruim em fazer as outras pessoas rirem, mas mesmo que fosse, imaginei que já que nós não nos conhecíamos direito, ele tinha que bancar o educado e soltar algumas gargalhadas tortas, só por edução (exatamente da mesma maneira que nós fazemos com nossos tios quando eles acham que falam algo engraçado na ceia de natal). Mas ele nem se esforçou para parecer simpático.

    Comecei a descobrir que ele também reclamava de tudo e todos. Nada nunca era o suficiente. Nos dias que eu tentava fazer companhia, ele fazia alguns comentários ofensivos sobre pessoas que eu mal conhecia e que, sinceramente, ele mal devia conhecer também.

    Meu grupo e eu decidimos que iríamos fazer um trabalho, juntos, pouco tempo depois. Convenci a todos do grupo a deixá-lo entrar no nosso, porque eu sei que nós acabávamos gastando muito tempo que deveria ser de produtividade em : risadas. Mas toda coisa engraçada que alguém dizia, ele criticava, ou dava um sorriso torto acompanhado de uma revirada nos olhos. Até que as pessoas começaram a parar de tentarem fazer os outros rirem. Ou de tentarem rir. As tardes que eram boas, na companhia dele, acabaram sendo pesadas, como se todos estivessem pisando em ovos antes de falar algo para não ser julgado como um idiota.

    Droga. Antes a palavra "idiota" no meu grupo não era uma ofensa. Era só um ato reflexo : você faz uma pessoa rir de uma piada sem graça, e de repente você escuta um "idiota", que valia mais do que muitos "eu te amo" por aí, que não valem nem um pão com ovo.

    A felicidade foi embora. E junto com elas, fomos todos nós. Deixando o clima pesado, o cara, e todos aqueles momentos que nós perdemos e que nunca mais vão voltar.

   Não seja aquele tipo de pessoa.

   Que tira a felicidade dos outros, e acaba tirando a própria também.

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