sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

As malas, o chão e a mudança.



Parecem palavras jogadas nas lixeiras todas aquelas que nós proferimos durante as fases da vida. A lembrança daquela promessa não cumprida da não mudança que só volta para nos tirar o sono, rondando por horas e horas na cama. 

Muitas bagagens para poucas idades atormentadas pelo caos. A sensação libertadora de sentir o chão molhado, sem sapatos, nos lembrando de como era ser criança e brincar na rua. E o cara que se esqueceu de me avisar que eu cresci. Um babaca ele. 

O “querido diário” e o urso de pelúcia também se foram. Talvez tenham ficado revoltados com as madrugadas em claro terminando algum trabalho. Aquela outra bosta de trabalho que nem sabia como começar.

O desespero. A saudade. A realidade caindo como tijolo em cima do seu corpo, que num toque de lucidez, percebeu que era frágil. A síndrome da vida perfeita tinha ido embora assim como os meses pareciam se arrastar dessa vez.

Os ponteiros do relógio que não andavam, a solidão e o medo. O medo de que tinha mudado para “do escuro” para “do fracasso”. Essa palavra tão feia que mamãe sempre mandava a menina bater na boca para que afastasse coisas ruins, e que nunca mais deveria sequer ser proferida.

A lua do Pequeno Príncipe a esperança que ele nos leva para um lugar quase tão distante que mais parecia ser o começo do mundo, onde nem o tal do “pecado” ou da “ruindade” existia. Seriam então deuses as estrelas? Brilhantes, que te cercam, que a sua visão lhe confunde dizendo que está ali, mas que na verdade, foram há muito tempo?

A cor vermelha e o que ela nos lembra conforme os anos vão passando. Tão engraçado essa história de mudar. Mudar de que? De vida? De pensamento? De ser?

Queria eu, pois bem, todas as mudanças de cabelo do mundo. Mas nem isso posso ter. E as caixas empacotadas numa manhã de quarta-feira que diziam adeus para uma vida e olá para outra que você nem sequer sabia que podia existir.

Até a luz do sol que entrava pela janela parecia diferente, assim como toda a sua vida que tinha mudado de uma hora para outra, como se fosse uma grande montanha russa, que lhe virava de cabeça para baixo e fazia com que você sentisse o vento nas pernas.

A novidade e o estranhamento. Essa história e suas interpretações. Talvez ela tenha várias, inclusive. Ou talvez só uma. Mas que seja a que mais te agrade, porque de mudanças, falo eu: ela tem que ser ao menos, boa.


 E ainda que o vento sopre ao meu favor, caminharei descalça, estarei com malas, indo para o lado oposto. Porque assim como eu tive que fazer sua vontade enquanto não podia gaguejar, uma hora, ah, uma hora ele teria que soprar para a direção em que eu quisesse. E nesse momento, seria dona de mim mesma.  

2 comentários:

  1. Gostei de tudo. No G+, tem um comentário mais merecedor.
    Muito bom!

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    1. Ei Júlio! Muito obrigada pelas palavras aqui e no G+! Foi muito importante pra mim! (:

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