quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Quando a gente perde algo.



   Nós perdemos várias coisas durante a vida. Desde coisas materiais até pessoas.
   Perdemos peças de teatro num domingo a noite; perdemos histórias; perdemos o medo; perdemos amigos; perdemos roupas; sapatos; acessórios; perdemos a cabeça.

    Outro dia eu perdi meu celular.

   Sei que parece besteira, tentei dizer para mim mesma que é besteira. Mas, eu não o tinha perdido. Tinham o roubado. A sensação é do fim do mundo por um tempo.
   Voltando a comentar: eu sei que parece besteira. Mas nós nos condicionamos muito a ficar num mundinho de celulares (como eu mesma comentei no post retrasado!)  . Eu o tinha ganhado uma semana antes, e ele tinha virado meu xodó no primeiro dia em que o usei. E aí então, o roubaram.

   A primeira coisa que pensamos é em como o mundo é cruel e etc quando se é roubado uma coisa da gente. A sensação é de raiva porque você começa a se questionar: o que faz uma pessoa pegar aquilo que não é dela? O que a torna superior a ponto de dizer "eu vou ficar com isso pra mim, independente do quê".

   Eu sei que quem já não passou por isso, já viu alguém bem próximo passar.

   Eu sei que parece besteira.

    Mas a sensação de perda ainda é muito grande porque você sabe que vai demorar algum tempo até que você consiga repor aquilo que lhe foi tirado.

   Gosto da ideia de Hazel (aquela personagem do livro A Culpa é das Estrelas) de que a frase "não existiria dias bons se não existissem os dias ruins" (ou algo assim porque não lembro da frase) , porque de acordo com ela "o gosto da abóbora não interfere em nada o gosto do chocolate". O que faz todo sentido.
   Assim como a frase de consolação "tem gente passando por coisa pior" não faz com que seu sofrimento desapareça do nada.

   No final das contas, eu sei que parece besteira. E na verdade, é. É besteira colocar a sua felicidade numa condição de existência de um objeto. Acho que nós não estamos acostumados a sofrer de verdade, e cada solução de algum problema parece estar mais distante que uma galáxia inteira.

    Gosto de pensar que tenho que colocar as condições da felicidade em mim mesma. Sabe.

   Todos nós perdemos algos. E perder algo material... Bem, ele é na verdade o menor dos problemas.

    É por isso, que hoje, estou mostrando o site (ou o projeto, não sei bem o que é isso), HERE IS TODAY! que mostra em alguns segundos a nossa pequenez, e faz com que o universo se torne infinito. Para que os problemas de hoje, não pareçam tão desesperadores. Afinal, ainda há um universo que você pode explorar. Ou perder.

    Como eu disse, eu sei que parece besteira: e é! Porque enquanto eu chorava desesperada durante uma festa porque tinham roubado meu celular novinho em folha, uma garota que fez o ensino médio comigo chorava porque perdeu a mãe. E comparar o meu choro com o dela foi doloroso porque eu entendi o tanto que nós estamos condicionados a se importar muito mais com coisas materiais, do que com os outros. Sabe, antes meu celular do que minha mãe. E aquela frase de mãe de :"Ainda bem que foi só o seu celular", faz com que você pense que : SIM. ainda bem que foi só algo material. Algo que com o tempo, eu posso repor, substituir, trocar por outro. Ainda bem que eu não perdi ninguém.

    Às vezes perdemos a noção de que somos mortais, e que a cada dia nós podemos perder a quem nós mais amamos. E quando perdermos, tenho certeza que faríamos de tudo para trocar todos os nossos objetos mais preciosos por aquela pessoa.

    A natureza foi feita com balanço. Para o frio existe o calor, e para as perdas existem os ganhos. As perdas são dolorosas e demoram muito para passar. Perder é sempre ruim. Ganhar é como uma recompensa. Talvez nós nunca vamos ganhar tudo o que queremos, e perder é sempre cruel.
   Se for para ganhar algo, que seja coragem.
   Se for para perder algo, que seja o medo.
   E caso você perca um objeto:
   Objetos têm seu valor.
   E o valor da sua vida não vale um objeto.





Nenhum comentário:

Postar um comentário