quinta-feira, 31 de outubro de 2013

O mundo offline.



   O mundo offline começou a ser tão assustador. A necessidade das pessoas sempre compartilharem suas vidas como uma busca incessante para dizer a todos que "minha vida é ótima. Venha cá ver como ela é demais", como se precisassem provar isso para alguém mais do que para si mesmos.
    É claro que não serei hipócrita em dizer que não tenho nenhuma dessas redes sociais, e que assim como todos os jovens do momento, quero compartilhar as coisas que vivo, afinal o blog se chama Crônicas de Uma Experimentalista, e conta as minhas experiências.
    Mas também não me cabe a hipocrisia de achar que compartilhar é tudo. Quero que saiba que existe um mundo lá fora que não depende de um sinal de wi-fi. E que essa forte necessidade de compartilhar, pode ser feita pessoalmente.
     As pessoas têm um medo tão grande da solidão que passam a criar mais e mais aplicativos para que você esteja online com diversas pessoas nessa rede de relacionamentos do vazio. Veio o orkut, facebook para compartilhar fotos, pensamentos, vídeos,  o que você gosta, o que não gosta. E então o Instagram : fotos instantâneas para serem mostradas para todo mundo. Aí veio o Tinder, um aplicativo para achar companheiros. Whatssap para mandar mensagens na hora ( e você ainda fica sabendo se uma pessoa leu o que disse ou não! ) . E tem o Snapchat. Particularmente, eu acredito que o snapchat foi criado para você mudar fotos nuas. Você deve estar pensando "mas que absurdo! Eu não mando fotos nuas!". O facebook foi criado por um jovem para conseguir "ficantes", mas você não tem esse objetivo, você quer compartilhar coisas, e músicas e sua opinião. Não há outro motivo, na minha cabeça, para a criação de um aplicativo que só deixa você ver uma foto por alguns segundos e caso você tire print, a pessoa fica sabendo.
    Mas isso é outra discussão. Tem até rede social para quem está buscando amantes!
    O mundo offline é um mundo vazio, mas é o mundo real. É o mundo das cores. O mundo de quem vai até o jardim da casa para ver a lua, ao invés de saber e ver pela internet que ela "está linda hoje".
     Nós vivemos em um mundo altamente conectado e das informações instantâneas e é muito difícil se desprender disso. Mas às vezes é bom sair para andar de bicicleta no parque, ou então combinar com os amigos de se encontrarem ao invés de ficarem se falando pelo celular.
     Você prefere ver o show pela tela do celular, prefere ver a lua através de satélite, prefere mostrar para seus amigos a sua felicidade, ao invés de realmente vivê-la.


    Fábio Seixo, fotógrafo, também mostra isso em seu projeto (informação que eu tirei do site Hypeness).

     Até mesmo em rodas de muitos e próximos amigos, a predominância da atenção são os celulares. " Deixa eu te mostrar essa foto aqui, que genial!" "deixa eu te mostrar o que ele me falou" "pera, eu preciso responder essa pessoa aqui" "só vai demorar dois segundinhos, eu prom...  ah, você está usando também? Então tudo ok!"
    Os celulares e computadores se tornaram nossos olhos, ouvidos, vícios e vida. Essa necessidade é alarmante, e viver nesse mundo de falsas realidades (afinal você faz um marketing da sua vida, como ela na realidade não é) faz com que você passe mais tempo se dedicando a sua própria publicidade do que vivendo uma vida plena e feliz.
     Tente desconectar o celular de vez em quando. Sair do quarto às vezes.  Acho que o sol também faz bem.

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