sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Aprendendo a falhar




Se você puder dar uma lidinha nesse texto de Eliane Brum para a revista Época,  tenho certeza que tudo ficará mais claro: É só clicar aqui .

    Todo mundo hoje tem medo de falhar.
   A sociedade pressiona muito aqueles que acabam não aceitando suas regras e o medo do fracasso acaba atingindo proporções (principalmente nos jovens) que são bem preocupantes. Aliás, o que é falhar exatamente? 

   Hoje, para aqueles que não sabem, é o último dia de inscrições do SISU (processo que leva milhões de jovens brasileiros a entrarem uma faculdade em todo o país). E todos os jovens têm medo de falhar nesse processo. Falharem por não passarem na faculdade desejada, falharem por não escolherem o curso certo, falharem perante a família, sociedade e por pior: falhar em frente ao espelho.  Tudo isso por causa daquele reflexo que provavelmente é o pior inimigo porque fica cobrando mais do que todos os outros juntos. 

    No Japão, o maior índice de suicídios é por causa do fracasso, e acontece justamente entre os jovens. Mas, aí eu lhe pergunto, de novo : exatamente o que é o fracasso? O que é falhar


Eu falhei. 

      Falhei uma, duas, três. No total, eu falhei exatamente cinco vezes, até perceber que eu nunca tinha falhado. 

    Quando eu entrei no ensino médio, decidi que iria querer ingressar na Universidade Federal aqui de Brasília. E então, no segundo ano comecei a tentar conciliar todas as minhas atividades extras com o cursinho. Quando eu terminei o ensino médio, eu não passei. Então, comecei a fazer cursinho para vestibular no primeiro semestre de 2012. Foi péssimo, foi o pior semestre da minha vida. Eu já não tinha contato com os amigos, já não ia para festas, não saía, eu passava a semana toda estudando, sempre que eu podia. E então, tentei no meio do ano. Mais uma vez, falhei. 

    E eu me culpei bastante e minha auto-estima caiu muito porque eu não me sentia bem com nada. Não sei muito bem o que é estar em uma depressão, mas eu não tinha vontade de fazer absolutamente nada. Eu me tornei minha pior inimiga e eu já não sabia o que era ter uma boa noite de sono sem ter que sonhar com aquelas cadeias orgânicas de química. 

   E então veio a decisão. Eu podia parar tudo e começar uma faculdade, ou poderia continuar tentando. Decidi continuar tentando. 

   E tentei ser muito rígida, tive um acompanhando de alguém que foi muito importante para mim por causa disso. Ele trabalhava no próprio cursinho e me dava mil motivos para continuar estudando, e aquele acompanhamento me fez ficar mais confiante, porque ele acreditava em mim. Dizia que nos simuladores eu ia muito bem e bem o bastante para passar até em cursos com notas muito mais altas do que o meu. Mas acontecia algo na prova e eu simplesmente não dava meu melhor. 

   E aquele cursinho me deixou num estresse tão grande, que minha mãe achou melhor que eu viajasse no meio de outubro (perto do meu aniversário). Então eu viajei com meu grupo de teatro para Belo Horizonte participar to Festival de Teatro de lá. E foi quando eu pude dar uma espairecida e viver um pouco naquele ano que foi bem difícil pra mim. 

   Tudo bem, eu voltei. E voltei com muito mais forças porque agora eu tinha dado um tempo e agora tinha mais gás. Eu estava confiante e tinha aprendido muito e evoluído muito. O vestibular foi re-agendado para janeiro. Tudo bem, aquilo não me abalou. Até o dia 22 de dezembro eu estava tendo aula. E no dia 25 de dezembro eu passei o dia estudando. Veio janeiro, e eu soube: eu tinha falhado mais uma vez. 

    Acredito que poucas pessoas sabem exatamente o que é isso. E então eu comecei a rever meus conceitos. Eu precisei falhar muito para saber que eu não estava falhando. 

    Então, eu decidi que iria fazer uma faculdade particular boa e renomada no curso que eu escolhi desde os 13 anos (Jornalismo). E eu percebi que em todo esse momento eu estava tão preocupada em realizar algumas metas, que acabei esquecendo de correr atrás do meu sonho maior: fazer jornalismo

    Demorou muito tempo para que eu tivesse maturidade para entender o que não é falhar. E talvez, para quem não passe nesse semestre agora, também demore ou seja rápido. 

    Você não é um desistente por desistir de algumas coisas. Você desiste de alguns sonhos para correr atrás de outros. E não há nada que te faça ser um fracasso.

    Hoje, eu sou completamente realizada com meu curso, encontrei pessoas ótimas, e percebi que tem tanta coisa dando errada na vida que a gente acaba esquecendo que certas coisas podem dar certo, mas por outras vias. Por outros caminhos, outras estradas.
   
    Eu não me arrependo nenhum segundo de ter feito o cursinho pré-vestibular por um ano. Eu conheci pessoas que são minhas amigas até hoje e que sabem exatamente o que passei. E também, me ajudou a crescer muito na faculdade, porque eu percebi que eu tinha adquirido uma maturidade muito grande em um ano. Saber de mais coisas e ter aprofundado coisas no cursinho sobre todas as matérias (que naquela época, pareciam que eram inúteis depois do vestibular) fez com que eu me destacasse em alguns pontos; fez com que eu me saísse melhor, afinal, eu já estava acostumada com rotinas malucas de estudos; e fez com que eu tivesse um conhecimento mais amplo das coisas do que as pessoas que estavam saindo do ensino médio naquela hora. E o cursinho foi o lugar onde eu aprendi a amar sociologia (que agora faz parte do que eu quero pro futuro), e foi onde eu aprendi que você pode se auto-destruir facilmente. E saber coisas de física e química e matemática me ajudaram a ter uma visão muito mais ampla, e a não fazer perguntas idiotas para os entrevistados, porque eu já tinha alguma noção do que eles estavam falando. E o pior lugar que eu já passei na vida até agora, foi o lugar onde eu mais cresci pessoalmente, profissionalmente, e aprendi a amar outras coisas. 


      E a maturidade só vêm quando você está pronto para abrir a mente, e só assim você pode dizer para aquele reflexo no espelho que tanto de pressiona: Eu não sou um fracasso. Inclusive, sou a pessoa mais corajosa que já conheci. 

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

O dia em que eu descobri que o tempo não para.





      Era meu terceiro ano na escola e o último dia de aula. Eu tinha vivido o melhor ano da minha vida, com pessoas muito especiais, tinha me apaixonado, passado por momentos únicos, sorria sempre, e tinha chorado muitas vezes de felicidade também. 

    Nos outros "últimos dias de aula" eu sempre tinha a certeza de que se repetiria no outro ano. Que eu teria mais uma sala, mais um ano no colégio e etc. Mas aquele ano era diferente. Droga! E o que vinha depois? 

    A morte, provavelmente. Ou era pelo menos isso que eu pensava. Afinal, depois do ensino médio, a gente faz o que? Morre? A faculdade, apesar de libertadora, não parecia tão atraente. Porque depois dela viria o primeiro emprego, e aí então a responsabilidade de ter que se sustentar, encontrar alguém para passar a vida ao lado, e, sinceramente, parecia ser uma preparação para te colocar dentro de um caixão. 

    O último dia de aula no ensino médio foi a primeira vez que eu descobri que o tempo não para. 

    Ele não poderia nem dar uma pausazinha de segundos para que eu pudesse me preparar para a vida que me encarava? Não. Ele não podia. 

   Eu tinha que fazer tudo rápido tive que escolher o queria fazer para vida tinha que escolher aonde eu queria fazer isso tinha que escolher como eu ia fazer isso eu tive tantas escolhas e tantas pressões e o tempo não estava parando por mim igual como esse parágrafo não para nem para ter uma vírgula de respiração.

    Mas Einstein tinha razão. O tempo é relativo. E eu não morri depois do ensino médio. A vida continuou ali, sabe. Me fazendo rir, me fazendo descobrir outras centenas de coisas e pessoas que eu nunca pensei que iria conhecer. Me fez abrir a mente, porque o desconhecido é assustador, mas ele tem um gosto muito bom. 

    Mas Einstein tinha razão. O tempo é relativo. Ele depende de mim. E depende do que eu faço com ele. Em um segundo eu poderia estar hesitando, e no outro eu já poderia estar vivendo a vida. Ou em um segundo eu poderia estar hesitando, e no outro eu poderia ter ido dormir e esperar outros segundos de vida chegarem. 

    Desde de o-dia-em-que-descobri-que-o-tempo-não-para, aprendi uma coisa que eu não sabia: 365 dias não é um tempo longo. Na verdade, ele é relativo. Como eu disse, Einstein tinha razão. Para saudades: longo. Para viver: curto. Curtíssimo. Até porque quando você cresce, você percebe que tem mais deveres do que direitos, e que quando você tem tempo para viver, talvez você prefira recuperar as energias.

    Já fez dois anos que eu saí do ensino médio e nesses 366+365 dias, minha vida mudou. E o tempo ainda continuou correndo. E ele ainda continua com esse péssimo hábito de não me dar um tempo nem para amarrar o cadarço. 

   Hoje é o primeiro dia do ano. E o tempo não parou ontem a noite, nem para você abrir um espumante. Ele continuou a cada segundo. Mas o bom do tempo é que ele leva as coisas, faz a dor diminuir e a cada milésimo de segundo ele torna sua vida passado. E o que ele tem mais de especial é que a cada segundo que ele faz passar, ele te dá uma chance de recomeçar do zero. 

   Aliás, você já recomeçou hoje? 

  

terça-feira, 31 de dezembro de 2013

O dia daquele dia em que o dia acaba rápido demais.



      Eu já tinha escolhido o meu vestido verde. Aliás, tinha escolhido verde porque tinham me dito que significava a esperança. Eu poderia ter escolhido uma cor menos abrangente, mas nesse ano que vinha eu precisava de esperança em todos as categorias da minha vida. Ao invés de escolher rosa para simbolizar o amor, ou o amarelo para ter mais dinheiro, ou laranja com ousadia, eu tinha escolhido o verde da esperança para que eu tivesse muita esperança no amor, esperança em ter dinheiro, e esperança em ter uma vida mais ousada. 

    O relógio estava sendo insensível e mais uma vez parecendo passar os ponteiros com mais rapidez do que o resto do ano. Eu sei que normalmente eu não piraria por causa disso, mas, a sensação de que o tempo estava passando incontrolavelmente e -parecia água que escorria pelos dedos das mãos- era mais comum nessa época do ano. 

    Eu nem tinha terminado minha lista de desejos e metas para o ano que vem, quando os fogos já começaram. Aqueles fogos ansiosos que não queriam nem esperar o relógio dar meia noite. Eles não pareciam muito importante, mas eram importantes para mim, porque estavam mostrando o começo do inevitável. 

    Meus amigos acabaram viajando com suas próprias famílias, e eu acabei optando por passar meu ano novo sozinha em algum lugar que tivesse algum lago e várias pessoas também se encontrassem. Bom, naquele momento, tinha uma multidão do meu lado, na minha frente e atrás de mim e mesmo assim eu ainda me sentia um pouco sozinha. Mas eu continuava dizendo que estava tudo bem e que tudo ficaria bem quando alguém estourasse o seu champanhe. 

   Quando faltavam quinze minutos para o relógio dar a tão esperada meia noite, comecei a fazer minhas listas com pressa, tentando pensar em tudo que eu não poderia esquecer no dia seguinte. Ser mais paciente, amar mais as pessoas como se não houvesse amanhã, perder alguns quilos e talvez entrar na academia, dar adeus a aqueles amores do passado que não tiveram fim, ser menos possessiva e um pouco menos ciumenta com as pessoas, e todos aqueles defeitos que todo mundo tinham me jogado na cara quando eu entrava em brigas e discussões...

    Mas apesar de tudo algo ainda me incomodava. Cinco minutos e eu não iria dar a ninguém um beijo de início de ano. Afinal, os filmes românticos que eu vi durante o ano inteiro e que tinham a temática do réveillon tinham uma regra clara: todo mundo tem que dar um beijo à meia noite. 

   Eu tinha cinco minutos e então comecei a ficar meio desesperada para me encaixar em algum grupo de amigos que não iriam se incomodar se mais alguém entrasse no grupo. E eu adorava o ano novo por causa disso: todo mundo ficava muito mais amigável, mesmo que tenha sido por causa de alguma ajudinha de um vinho ou outro. 

   Conheci um grupo de amigos bem legais. Eles eram um pouco hippies e todos usavam roupas cor de branco, sem se importarem por estarem agregando uma mulher-cor-de-verde. Começaram a cantar músicas e me colocarem nas rodinhas com os braços por cima dos meus ombros e eu já estava lá, como se fosse fã de hippie número 1 e rindo da vida, achando-a linda e maravilhosa, sem mesmo conseguir lembrar porque eu não tinha mesmo gostado desse ano. 

   " Quais são suas promessas?" perguntou uma das hippies que estava do meu lado e que segurava uma taça em mãos e usava flores no cabelo impecável. 
  
   " A mesma de todas, eu acho. Emagrecer e tal" gritei porque o som das pessoas gritando ao nosso lado já estava me incomodando. Dois minutos. 

    A mulher não fez nenhum comentário mais e só deu um sorriso torto. Então, eu acabei tendo que me render:

   " E você?" 

   "Eu só quero ser feliz"

   "Isso não deveria ser uma meta independente do ano novo?" perguntei. 

   " E é. Mas eu tenho que emagrecer vários quilos, tenho que me preocupar em ter menos defeitos físicos e de personalidade, tenho que me preocupar em todos os anos em ser alguém mais perfeita ainda. Então, no final das contas, eu  tenho que me prometer ser feliz com todos esses defeitinhos aqui." 

   Dez segundos. 

   E aqueles dez segundos passaram rápidos para quem estava refazendo a lista de metas mentalmente. Quando os fogos de artifício ocuparam todo o céu e alguém abriu o champanhe, me abracei com aquelas pessoas que tinha conhecido ali mesmo. Com aqueles novos amigos que aquele ano ainda tinha me trazido mesmo nos últimos minutos; e então joguei um beijo no ar. 

   Minha meta esse ano era me amar. 
    

  

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

As malas, o chão e a mudança.



Parecem palavras jogadas nas lixeiras todas aquelas que nós proferimos durante as fases da vida. A lembrança daquela promessa não cumprida da não mudança que só volta para nos tirar o sono, rondando por horas e horas na cama. 

Muitas bagagens para poucas idades atormentadas pelo caos. A sensação libertadora de sentir o chão molhado, sem sapatos, nos lembrando de como era ser criança e brincar na rua. E o cara que se esqueceu de me avisar que eu cresci. Um babaca ele. 

O “querido diário” e o urso de pelúcia também se foram. Talvez tenham ficado revoltados com as madrugadas em claro terminando algum trabalho. Aquela outra bosta de trabalho que nem sabia como começar.

O desespero. A saudade. A realidade caindo como tijolo em cima do seu corpo, que num toque de lucidez, percebeu que era frágil. A síndrome da vida perfeita tinha ido embora assim como os meses pareciam se arrastar dessa vez.

Os ponteiros do relógio que não andavam, a solidão e o medo. O medo de que tinha mudado para “do escuro” para “do fracasso”. Essa palavra tão feia que mamãe sempre mandava a menina bater na boca para que afastasse coisas ruins, e que nunca mais deveria sequer ser proferida.

A lua do Pequeno Príncipe a esperança que ele nos leva para um lugar quase tão distante que mais parecia ser o começo do mundo, onde nem o tal do “pecado” ou da “ruindade” existia. Seriam então deuses as estrelas? Brilhantes, que te cercam, que a sua visão lhe confunde dizendo que está ali, mas que na verdade, foram há muito tempo?

A cor vermelha e o que ela nos lembra conforme os anos vão passando. Tão engraçado essa história de mudar. Mudar de que? De vida? De pensamento? De ser?

Queria eu, pois bem, todas as mudanças de cabelo do mundo. Mas nem isso posso ter. E as caixas empacotadas numa manhã de quarta-feira que diziam adeus para uma vida e olá para outra que você nem sequer sabia que podia existir.

Até a luz do sol que entrava pela janela parecia diferente, assim como toda a sua vida que tinha mudado de uma hora para outra, como se fosse uma grande montanha russa, que lhe virava de cabeça para baixo e fazia com que você sentisse o vento nas pernas.

A novidade e o estranhamento. Essa história e suas interpretações. Talvez ela tenha várias, inclusive. Ou talvez só uma. Mas que seja a que mais te agrade, porque de mudanças, falo eu: ela tem que ser ao menos, boa.


 E ainda que o vento sopre ao meu favor, caminharei descalça, estarei com malas, indo para o lado oposto. Porque assim como eu tive que fazer sua vontade enquanto não podia gaguejar, uma hora, ah, uma hora ele teria que soprar para a direção em que eu quisesse. E nesse momento, seria dona de mim mesma.  

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Não seja aquele tipo de pessoa.


   
     Certa vez conheci um rapaz que me deixou muito intrigada. Ele era meio cabisbaixo, meio depressivo, meio incompreensível. Disse a mim mesma que ele só precisava de um empurrãozinho para que ele estivesse bem novamente. Que algo deveria ter acontecido em sua vida e que ninguém tinha o direito de julgá-lo. Afinal, sórdidos tempos vem para todo mundo.

      Enquanto tentava me aproximar da melhor maneira possível (com um pouco de piadas e tentando arranjar algumas coisas em comum), dei me conta de que ele não ria de nada. Eu não sou tão ruim em fazer as outras pessoas rirem, mas mesmo que fosse, imaginei que já que nós não nos conhecíamos direito, ele tinha que bancar o educado e soltar algumas gargalhadas tortas, só por edução (exatamente da mesma maneira que nós fazemos com nossos tios quando eles acham que falam algo engraçado na ceia de natal). Mas ele nem se esforçou para parecer simpático.

    Comecei a descobrir que ele também reclamava de tudo e todos. Nada nunca era o suficiente. Nos dias que eu tentava fazer companhia, ele fazia alguns comentários ofensivos sobre pessoas que eu mal conhecia e que, sinceramente, ele mal devia conhecer também.

    Meu grupo e eu decidimos que iríamos fazer um trabalho, juntos, pouco tempo depois. Convenci a todos do grupo a deixá-lo entrar no nosso, porque eu sei que nós acabávamos gastando muito tempo que deveria ser de produtividade em : risadas. Mas toda coisa engraçada que alguém dizia, ele criticava, ou dava um sorriso torto acompanhado de uma revirada nos olhos. Até que as pessoas começaram a parar de tentarem fazer os outros rirem. Ou de tentarem rir. As tardes que eram boas, na companhia dele, acabaram sendo pesadas, como se todos estivessem pisando em ovos antes de falar algo para não ser julgado como um idiota.

    Droga. Antes a palavra "idiota" no meu grupo não era uma ofensa. Era só um ato reflexo : você faz uma pessoa rir de uma piada sem graça, e de repente você escuta um "idiota", que valia mais do que muitos "eu te amo" por aí, que não valem nem um pão com ovo.

    A felicidade foi embora. E junto com elas, fomos todos nós. Deixando o clima pesado, o cara, e todos aqueles momentos que nós perdemos e que nunca mais vão voltar.

   Não seja aquele tipo de pessoa.

   Que tira a felicidade dos outros, e acaba tirando a própria também.

segunda-feira, 18 de novembro de 2013

Mudar o passado e momentos eternos.


Todos nós procuramos momentos eternos.
Estamos tão desesperados para preencher aquele vazio dentro da nossa alma, que insiste em ficar ali, batendo e batendo a cada dia que passa, que acabamos mudando as histórias que nos aconteceram, que já foram presente, e que hoje, são só cicatrizes do passado. Mudamos uma palavra, uma cena, uma pessoa. Falamos muito mais sobre o que achamos que aconteceu, do que realmente foi.  E eternizamos aquela cena que foi formada dentro da nossa cabeça. Aqueles sentimentos que se congelaram no tempo confirmam que aquele momento foi tão bom e eterno que você nem percebeu que o criou todo por um sentimento de vazio e de uma vontade louca em se lembrar das pessoas e dos momentos que viveu, antes que eles sejam apagados pelas ventanias que tanto nos assombram na vida. O sentimento de ser esquecido ou apagado completamente da história, como se sua vida fosse insignificante ou não tão incrível quanto realmente foi.  Aquele vento que leva e apaga, que te faz não ter certeza do que aconteceu, ou do nome das pessoas que tanto foram importantes para você algum dia. Até que de repente, a brisa que leva as pessoas também é a mesma que leva as lembranças, e só fica aquele sentimento de algo deu certo algum dia, mas você não sabe realmente o quê. Aquele sentimento de que alguém falou uma piada bem na hora da foto, mas que você não se lembra quem ou o quê.  Mudar o passado. Tão cruel consigo mesmo. Tão desesperador, e que é uma ação tão cega que você não percebe a única coisa que esteve na sua frente o tempo todo: momentos eternos são feitos por flashes, segundos, míseros segundos que você lembra de uma risada, de uma pessoa, de um acontecimento, de um olhar, ou da sensação do seu coração batendo e batendo mais forte conforme você daria passos. 

Todos nós temos momentos eternos. Mas eles são quase insignificantes segundos do passado.  Que quando lembrados, não precisamos mudar uma história inteira, nem o passado inteiro, para que eles sejam boas histórias, porque eles já são perfeitos por si só. 

quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Quando a gente perde algo.



   Nós perdemos várias coisas durante a vida. Desde coisas materiais até pessoas.
   Perdemos peças de teatro num domingo a noite; perdemos histórias; perdemos o medo; perdemos amigos; perdemos roupas; sapatos; acessórios; perdemos a cabeça.

    Outro dia eu perdi meu celular.

   Sei que parece besteira, tentei dizer para mim mesma que é besteira. Mas, eu não o tinha perdido. Tinham o roubado. A sensação é do fim do mundo por um tempo.
   Voltando a comentar: eu sei que parece besteira. Mas nós nos condicionamos muito a ficar num mundinho de celulares (como eu mesma comentei no post retrasado!)  . Eu o tinha ganhado uma semana antes, e ele tinha virado meu xodó no primeiro dia em que o usei. E aí então, o roubaram.

   A primeira coisa que pensamos é em como o mundo é cruel e etc quando se é roubado uma coisa da gente. A sensação é de raiva porque você começa a se questionar: o que faz uma pessoa pegar aquilo que não é dela? O que a torna superior a ponto de dizer "eu vou ficar com isso pra mim, independente do quê".

   Eu sei que quem já não passou por isso, já viu alguém bem próximo passar.

   Eu sei que parece besteira.

    Mas a sensação de perda ainda é muito grande porque você sabe que vai demorar algum tempo até que você consiga repor aquilo que lhe foi tirado.

   Gosto da ideia de Hazel (aquela personagem do livro A Culpa é das Estrelas) de que a frase "não existiria dias bons se não existissem os dias ruins" (ou algo assim porque não lembro da frase) , porque de acordo com ela "o gosto da abóbora não interfere em nada o gosto do chocolate". O que faz todo sentido.
   Assim como a frase de consolação "tem gente passando por coisa pior" não faz com que seu sofrimento desapareça do nada.

   No final das contas, eu sei que parece besteira. E na verdade, é. É besteira colocar a sua felicidade numa condição de existência de um objeto. Acho que nós não estamos acostumados a sofrer de verdade, e cada solução de algum problema parece estar mais distante que uma galáxia inteira.

    Gosto de pensar que tenho que colocar as condições da felicidade em mim mesma. Sabe.

   Todos nós perdemos algos. E perder algo material... Bem, ele é na verdade o menor dos problemas.

    É por isso, que hoje, estou mostrando o site (ou o projeto, não sei bem o que é isso), HERE IS TODAY! que mostra em alguns segundos a nossa pequenez, e faz com que o universo se torne infinito. Para que os problemas de hoje, não pareçam tão desesperadores. Afinal, ainda há um universo que você pode explorar. Ou perder.

    Como eu disse, eu sei que parece besteira: e é! Porque enquanto eu chorava desesperada durante uma festa porque tinham roubado meu celular novinho em folha, uma garota que fez o ensino médio comigo chorava porque perdeu a mãe. E comparar o meu choro com o dela foi doloroso porque eu entendi o tanto que nós estamos condicionados a se importar muito mais com coisas materiais, do que com os outros. Sabe, antes meu celular do que minha mãe. E aquela frase de mãe de :"Ainda bem que foi só o seu celular", faz com que você pense que : SIM. ainda bem que foi só algo material. Algo que com o tempo, eu posso repor, substituir, trocar por outro. Ainda bem que eu não perdi ninguém.

    Às vezes perdemos a noção de que somos mortais, e que a cada dia nós podemos perder a quem nós mais amamos. E quando perdermos, tenho certeza que faríamos de tudo para trocar todos os nossos objetos mais preciosos por aquela pessoa.

    A natureza foi feita com balanço. Para o frio existe o calor, e para as perdas existem os ganhos. As perdas são dolorosas e demoram muito para passar. Perder é sempre ruim. Ganhar é como uma recompensa. Talvez nós nunca vamos ganhar tudo o que queremos, e perder é sempre cruel.
   Se for para ganhar algo, que seja coragem.
   Se for para perder algo, que seja o medo.
   E caso você perca um objeto:
   Objetos têm seu valor.
   E o valor da sua vida não vale um objeto.